O sofrimento dá peso às palavras

De Lavelle:

D’abord, la douleur n’est pas seulement une simple privation d’être, ou diminution d’être. Il y a en elle un élément positif qui s’incorpore à notre vie et qui la change. Chacun de nous ne songe sans doute qu’à rejeter la douleur au moment où elle l’assaille ; mais quand il fait un retour sur sa vie passée, alors il s’aperçoit que ce sont les douleurs qu’il a éprouvées qui ont exercé sur lui l’action la plus grande ; elles l’ont marqué : elles ont donné à sa vie son sérieux et sa profondeur ; c’est d’elles aussi qu’il a tiré sur le monde où il est appelé à vivre et sur la signification de sa destinée les enseignements les plus essentiels.

Aqui, fica justificada a alegada afirmação de Dostoiévski de que, para escrever bem, é preciso sofrer. O sofrimento dá peso às palavras; sua experiência molda o caráter e a compreensão. Quando intimamente experimentado, impõe-se. Por isso, não é preciso que o leitor tenha experiências semelhantes para apreciar uma obra artística: da condição humana exposta com autenticidade porque autenticamente vivida, brota o respeito, que abre a porta para a identificação.

O desenvolvimento da linguística

O desenvolvimento da linguística, depois de Saussure, é impressionante e comparável à física, posto que, se folheamos obras antigas e recentes de qualquer destas duas disciplinas, ficamos espantados com o contraste. Quer dizer: tais disciplinas transformaram-se ao irreconhecível; do que falam as obras recentes, as antigas não poderiam nem sonhar. Com a linguística, ocorre, porém, o seguinte: o estudante pode facilmente dispensar tudo quanto se tem escrito recentemente, e mesmo assim tornar-se um respeitável conhecedor do idioma. Pode, é claro, ganhar um bocado estudando as obras atuais; mas é preciso que tenha uma forte base linguística, algo que não é conferido por elas. Se começa, contudo, o estudo pelo que há de mais novo, o mais provável é que se confunda até o desespero, e acabe tendo pavor do idioma que fala. Incrível! A simplicidade dos antigos mestres, já inimitável, parece garantir para as suas obras mais um punhado de reimpressões.

O que se percebe ao analisar a obra dos três ases…

O que se percebe ao analisar a obra dos três ases da música é que houve uma transferência da experiência para a arte tão perfeita que, apenas por suas obras, é possível dizer sem pestanejar qual deles desfrutou uma vida mais harmoniosa, e em que grau experimentaram o sofrimento, a melancolia e o desespero. O homem de carne e osso, para dizer como Unamuno, grita através das composições. Trata-se de arte autêntica, que inspira pela sinceridade e comove pelo fundamento real. Enfim, percebe-se que o limite da técnica é expressar com precisão uma ideia ou sentimento; depois disso, o impacto da obra resultará do grau de identificação que ela provocar no seu receptor.

“Saving for retirement will be irrelevant”…

O multibilionário Elon Musk disse recentemente que “saving for retirement will be irrelevant” e, como se soubesse o que venho fazendo e sofrendo há mais de dez anos, deu-me um conselho pessoal: “Don’t worry about squirreling money away for retirement in 10 or 20 years. It won’t matter”. Sem dúvida, tais palavras cairiam muito bem no dia mais feliz de toda a minha vida, e seriam justificativa mais do que suficiente para que eu começasse a queimar o pouco que juntei. Mas, no tocante ao dinheiro — e somente ao dinheiro!, — sou como Schopenhauer. E isso significa que sou incapaz de acreditar nas palavras do visionário engenheiro de foguetes e explorador espacial, crendo muito mais plausível que, num futuro como este, eu descobrirei uma maneira de falir. Seria lindo, maravilhoso, aposentar-me agora e aguardar o dia em que já não será necessário me aposentar. Comprar um pequeno buraco, acender o meu cigarro e escrever. Sentar numa cadeira de balanço e contemplar as nuvens, tomar todos os dias o meu sol matinal. Muito, muito bonito… mas preciso de outra vida para ser capaz de confiar num robô.