A verdadeira coragem

Lavelle apontou:

Le véritable courage consiste à reconnaître notre vocation, qui est unique au monde, et à lui demeurer fidèle au milieu de tous les obstacles que nous rencontrons, sans nous permettre de jamais céder devant eux.

É curioso notar como a vocação, ao mesmo tempo que tem relevância ao mundo, é por ele sempre mais ou menos estorvada. A relevância deriva de sua unicidade, deriva do fato de que o mundo se alarga com sua realização, a despeito de quaisquer considerações de grandeza. No entanto, o mesmo mundo parece resumir-se no conjunto de circunstâncias que trabalham ativamente para transtorná-la, para desviar e dissipar o foco, para obscurecê-la, menosprezá-la, e fazer com que a energia se direcione para outro fim. A coragem de encará-lo, pois, é a verdadeiramente autêntica, pois defronta o todo em imensa desvantagem, numa batalha na qual a vitória possível é sempre parcial, arrogando a si a tarefa dificílima de esforçar-se por energizar-se com a força opositora — mas, sobretudo, é autêntica por não hesitar diante do conflito fundamental.

É uma sensação revigorante…

É uma sensação revigorante, inspiradora, deliciosa esta que nos sobrevém quando um providencial dia chuvoso interrompe uma sequência de dias quentes. O frescor nos envolve e só então tomamos consciência de como a atividade vinha-se arrastando, como forçada contra a oposição ferrenha do ambiente. Agora, parece tudo estimulá-la, e é realmente um privilégio poder trabalhar sob um teto aconchegante, sentindo debelado o desconforto, enquanto a chuva cai serena do outro lado da janela…

Em toda biografia que mereceu o relato…

Diz Rajmani Tigunai:

There is a turning point in every individual’s life, and during those moments, each of us is accompanied by divine protection and guidance. Every event, regardless of how bitter and unpleasant it may seem, is a direct expression of divine will and contains the seeds of higher good.

Em toda biografia que mereceu o relato, podemos identificar tais momentos. E, muitas vezes, quando ocorrem não deixam evidente a sua repercussão determinante, a qual só percebemos quando a vida se completa. No entanto, eles ocorrem e repercutem. Para aquele que vive, pode ser dificílimo mirá-los com o otimismo e a segurança do pandit, porque, embora a transformação decorrente se faça perceptível com o tempo, às vezes não há pistas de que seja importantíssima e sempre para o melhor. Ah! sem a religião, a miséria convida ao inferno! E sem um mínimo de confiança, um mínimo de boa disposição para com a vida, é muito fácil desistir.

A meta invisível

De Stefan Zweig:

Mas só nos primeiros anos da juventude o acaso ainda parecia idêntico ao destino. Mais tarde sabemos que a verdadeira trajetória da vida é determinada por uma força interior: por mais que o nosso caminho pareça se desviar sem sentido dos nossos desejos, sempre afinal nos conduz à nossa meta invisível.

Não há como negá-lo, e como não há como negar que a tal meta é sempre existente, embora não necessariamente invisível. O que alcançam as mentes mais desenvolvidas é defini-la, ou apreendê-la, e conscientemente agir em conformidade com ela. Porém, há sempre aquela discrepância oriunda da imperfeição humana que faz com que os atos nem sempre estejam em harmonia com aquilo que se quer. O resultado é que a meta definida altera-se um pouco na realidade, isto é, a trajetória se ajusta segundo as ações reais. Exatamente por isso, mesmo para aqueles que o ignoram por completo, a meta invisível se cria e se desenvolve orientada pelo desejo que se manifesta nas ações.