O sofrimento é a experiência humana por excelência

Por mais que se queira evitá-lo, o sofrimento é a experiência humana por excelência, que universaliza as palavras de Buda a Jesus Cristo, a música de Beethoven e os poemas de Camões. Não se é humano sem ele; sentir é sofrer. No fim das contas, a reflexão acaba demonstrando-lhe o valor. E disso brota algo bom, como já dito pelo enorme e irretocável Louis Lavelle. Graças ao sofrimento, somos compreensíveis e podemos compreender.

Mais de uma vez, entraram nestas Notas…

Mais de uma vez, entraram nestas Notas lamentos diante da injustiça. E entristece ver que, aparentemente, eles nunca cessarão. A modernidade facilitou muito o trabalho de odiar. Tornou os alvos mais visíveis, mais acessíveis e, sobretudo, beneficiou o agrupamento das hordas, sua atuação ao mesmo tempo sistemática e difusa, que facilmente acaba com uma reputação. Daí que repetidas vezes se observa o exemplo daquele homem bom, que dedicou a vida inteira ao estudo e, no fim da vida, quando os anos já lhe conferiram maturidade ao discurso, tem a vida destruída em resposta à sua sincera exposição. Que sirvam de consolo, ao menos, as palavras e o exemplo de Jesus.

Curiosamente, a influência e o sucesso…

Curiosamente, a influência e o sucesso o mais das vezes se acompanham da controvérsia, e esta da inveja, do ódio e da difamação. Tal norma se observa independentemente das personalidades e do cunho daquilo que se expõe ao público, o qual ama e odeia, admira e inveja. Polemistas a conhecem tão bem como santos e líderes espirituais. Conhecem-na o nobre e o canalha, o inflamado e o polido. Assim, buscar aqueles primeiros desconhecendo o curso natural das coisas é submeter-se a uma prova um tanto desagradável, da qual não parece ser possível escapar.

Da mesma forma que a um forasteiro…

Da mesma forma que a um forasteiro pode parecer imodéstia aquilo que um carioca chamaria de “personalidade”, o mesmo forasteiro, em contato com chineses, poderia estranhar-lhes a modéstia, que por vezes parece exagerada ou irracional. Acontece que, em ambos os casos, tais impressões seriam falsas, e nada diriam sobre os indivíduos, afora estarem em harmonia com o costume local. Aqui, percebe-se quanta confusão pode gerar o contato com outros povos, e quão pouco se pode conhecer dos indivíduos quando se ignora as regras de comportamento predominantes em sua região.