Os neurocientistas, estudando lagostas, concluíram que o ser humano fracassado tende a ser física e psicologicamente mais reativo a eventos que suscitem emoções, especialmente aqueles negativos, em razão de seu baixo nível de serotonina. Em contrapartida, o ser humano bem-sucedido terá a disposição contrária: será menos reativo, menos alerta, distinguindo-se como alguém calmo e confiante. Ah, como são lindas as simplificações! Será mesmo que, salvo em casos extremos, o homem fracassado torna-se reativo e psicologicamente frágil, enquanto o homem de sucesso uma espécie de fortaleza psicológica, serena e em paz? Ou será que, com maior frequência, quando se vence a adolescência psicológica, o fracasso ensina humildade e o sucesso tende a inflar o amor-próprio, o qual aprisiona, perturba, paralisa, e afinal provoca um desgosto tão severo que o homem humilde só com muito esforço consegue conceber? Qual deles será que mais teme o fracasso? Qual deles mais se inquieta com o que tem a perder?… Esse é o maior problema da ciência. O homem maduro, que não se resume a um amontoado de moléculas, se voltar os olhos ao passado, seguramente dirá: “Graças a Deus fracassei”.
O sofrimento é a experiência humana por excelência
Por mais que se queira evitá-lo, o sofrimento é a experiência humana por excelência, que universaliza as palavras de Buda a Jesus Cristo, a música de Beethoven e os poemas de Camões. Não se é humano sem ele; sentir é sofrer. No fim das contas, a reflexão acaba demonstrando-lhe o valor. E disso brota algo bom, como já dito pelo enorme e irretocável Louis Lavelle. Graças ao sofrimento, somos compreensíveis e podemos compreender.
Mais de uma vez, entraram nestas Notas…
Mais de uma vez, entraram nestas Notas lamentos diante da injustiça. E entristece ver que, aparentemente, eles nunca cessarão. A modernidade facilitou muito o trabalho de odiar. Tornou os alvos mais visíveis, mais acessíveis e, sobretudo, beneficiou o agrupamento das hordas, sua atuação ao mesmo tempo sistemática e difusa, que facilmente acaba com uma reputação. Daí que repetidas vezes se observa o exemplo daquele homem bom, que dedicou a vida inteira ao estudo e, no fim da vida, quando os anos já lhe conferiram maturidade ao discurso, tem a vida destruída em resposta à sua sincera exposição. Que sirvam de consolo, ao menos, as palavras e o exemplo de Jesus.
Curiosamente, a influência e o sucesso…
Curiosamente, a influência e o sucesso o mais das vezes se acompanham da controvérsia, e esta da inveja, do ódio e da difamação. Tal norma se observa independentemente das personalidades e do cunho daquilo que se expõe ao público, o qual ama e odeia, admira e inveja. Polemistas a conhecem tão bem como santos e líderes espirituais. Conhecem-na o nobre e o canalha, o inflamado e o polido. Assim, buscar aqueles primeiros desconhecendo o curso natural das coisas é submeter-se a uma prova um tanto desagradável, da qual não parece ser possível escapar.