Mais de uma vez, entraram nestas Notas…

Mais de uma vez, entraram nestas Notas lamentos diante da injustiça. E entristece ver que, aparentemente, eles nunca cessarão. A modernidade facilitou muito o trabalho de odiar. Tornou os alvos mais visíveis, mais acessíveis e, sobretudo, beneficiou o agrupamento das hordas, sua atuação ao mesmo tempo sistemática e difusa, que facilmente acaba com uma reputação. Daí que repetidas vezes se observa o exemplo daquele homem bom, que dedicou a vida inteira ao estudo e, no fim da vida, quando os anos já lhe conferiram maturidade ao discurso, tem a vida destruída em resposta à sua sincera exposição. Que sirvam de consolo, ao menos, as palavras e o exemplo de Jesus.

Curiosamente, a influência e o sucesso…

Curiosamente, a influência e o sucesso o mais das vezes se acompanham da controvérsia, e esta da inveja, do ódio e da difamação. Tal norma se observa independentemente das personalidades e do cunho daquilo que se expõe ao público, o qual ama e odeia, admira e inveja. Polemistas a conhecem tão bem como santos e líderes espirituais. Conhecem-na o nobre e o canalha, o inflamado e o polido. Assim, buscar aqueles primeiros desconhecendo o curso natural das coisas é submeter-se a uma prova um tanto desagradável, da qual não parece ser possível escapar.

Da mesma forma que a um forasteiro…

Da mesma forma que a um forasteiro pode parecer imodéstia aquilo que um carioca chamaria de “personalidade”, o mesmo forasteiro, em contato com chineses, poderia estranhar-lhes a modéstia, que por vezes parece exagerada ou irracional. Acontece que, em ambos os casos, tais impressões seriam falsas, e nada diriam sobre os indivíduos, afora estarem em harmonia com o costume local. Aqui, percebe-se quanta confusão pode gerar o contato com outros povos, e quão pouco se pode conhecer dos indivíduos quando se ignora as regras de comportamento predominantes em sua região.

Elon Musk continua, semanalmente…

Elon Musk continua, semanalmente, me atiçando a fazer uma loucura. Segundo ele, o meu futuro já está garantido, a minha vida já está ganha. “Não se importe com o dinheiro”, aconselha-me o multibilionário. E eu, emocionadamente querendo convencer-me, repasso em mente exemplos que vão de Fernando Pessoa aos renunciantes da Índia, de Taleb a São Francisco de Assis. Tudo converge para o ato desarrazoado que, diz-me agora minha própria mente, se provar-se mesmo desarrazoado, será pelo menos corajoso, estimulante ou, no pior dos cenários, singular. “Vou chutar o balde!”, digo a mim mesmo, sabendo que não serei capaz de fazê-lo. Eu, imaginando qual tamanho teria a pilha de meus insignificantes boletos ainda a serem pagos, só posso sorrir a Elon Musk.