A meta invisível

De Stefan Zweig:

Mas só nos primeiros anos da juventude o acaso ainda parecia idêntico ao destino. Mais tarde sabemos que a verdadeira trajetória da vida é determinada por uma força interior: por mais que o nosso caminho pareça se desviar sem sentido dos nossos desejos, sempre afinal nos conduz à nossa meta invisível.

Não há como negá-lo, e como não há como negar que a tal meta é sempre existente, embora não necessariamente invisível. O que alcançam as mentes mais desenvolvidas é defini-la, ou apreendê-la, e conscientemente agir em conformidade com ela. Porém, há sempre aquela discrepância oriunda da imperfeição humana que faz com que os atos nem sempre estejam em harmonia com aquilo que se quer. O resultado é que a meta definida altera-se um pouco na realidade, isto é, a trajetória se ajusta segundo as ações reais. Exatamente por isso, mesmo para aqueles que o ignoram por completo, a meta invisível se cria e se desenvolve orientada pelo desejo que se manifesta nas ações.

Algo deveras divertido na literatura brasileira…

Algo deveras divertido na literatura brasileira é ver como se confrontam os regionalismos e como interagem as rivalidades entre os estados, com representações as mais diversas e sempre muito pessoais. O “paulista”, o “gaúcho”, o “mineiro”, o “baiano” são definições vagas que, no entanto, refletem experiências reais. O paulista trabalha, o gaúcho briga, o mineiro dissimula e o baiano não coincidentemente veio por último nesta enumeração. E tanto como é possível reconhecer a veracidade nas qualidades a eles atribuídas, é possível rejeitá-las por completo, de forma que em ambos os casos se estabelece um contato verdadeiro com a experiência pessoal. É mesmo interessante este campo de infindáveis e divertidíssimas ironias que hão de perdurar enquanto existir esse país.

O mais difícil na evolução da personalidade…

O mais difícil na evolução da personalidade é despegar-se dos laços que vão sendo criados conforme o impacto positivo proveniente de determinadas descobertas. Chega o momento em que, já tendo cumprido sua função edificante, deixam de contribuir. Então é necessário abandonar o hábito delas oriundo; é necessário substituí-lo por outro mais condizente com o estado atual. Isso não se faz sem algum incômodo; não fazê-lo, porém, é provocar a estagnação.

O erro mais comum destes conselheiros…

O erro mais comum destes conselheiros modernos é a tendência a transformar um hábito reconhecido como saudável em uma recomendação universal. Da psicologia à medicina, o profissional excelente é aquele que consegue adaptar-se melhor às individualidades que defronta. Isso quer dizer que, não importa quão qualificado seja, quanta teoria e quantos casos tenha como bagagem, a efetividade de sua atuação estará sobretudo atrelada à sensibilidade e ao engenho com que ajustará o repertório que possui às necessidades daquele que orienta. Ou seja: é uma tarefa que quase sempre envolve mais o compreender de uma natureza única e nova, do que a aplicação de um protocolo padrão.