O behaviorismo teve o azar de ser desenvolvido por mentes pouco filosóficas, as quais se valeram de bons experimentos, mas tiraram más conclusões. Ensinou um bocado, decerto, mas já é como um fóssil para a psicologia atual. É uma pena. Havia campo vastíssimo para comprovar, por vias intermináveis, a seguinte verdade: o homem se inclina ao humano; o boi ao bovino. Sempre.
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Ironias à parte, temos muito de aprender…
Ironias à parte, temos muito que aprender não só com as lagostas, mas também com os chimpanzés e até com os ratos, uma vez que a ciência nos ensina que nossos materiais genéticos são praticamente idênticos. Quem diria que, afinal, as diferenças qualitativas são menores do que se supunha no tempo de Aristóteles, quando não havia ferramentas de medição, senão a mente. Agora, podemos tomar consciência de que o que difere um homem de um rato não é mais do que ilusão! Sem dúvida, é interessantíssimo esse inovador método da neurociência, que estuda animais para tirar conclusões sobre seres humanos. É o contrário do que faz a psicologia, que estuda seres humanos e tira conclusões sobre animais.
O futuro da neurociência é promissor
O futuro da neurociência é promissor: ao que parece, com mais algumas décadas de intensa pesquisa, após esgotar as possibilidades de testes de laboratório com animais, ela descobrirá que, tão logo aprende a lidar com os impulsos mais rudimentares de sua psique, o homem deixa de se comportar fielmente segundo um padrão. Aqui, então, se dará a revolucionária descoberta: ele é também um ente autônomo, e possui uma identidade individual. É mesmo uma loucura. Mas é bom pensar que, neste dia, haverá necessidade de filósofos, e então se descobrirá, mais uma vez, que são suficientes aqueles que a humanidade já pariu.
Os neurocientistas, estudando lagostas…
Os neurocientistas, estudando lagostas, concluíram que o ser humano fracassado tende a ser física e psicologicamente mais reativo a eventos que suscitem emoções, especialmente aqueles negativos, em razão de seu baixo nível de serotonina. Em contrapartida, o ser humano bem-sucedido terá a disposição contrária: será menos reativo, menos alerta, distinguindo-se como alguém calmo e confiante. Ah, como são lindas as simplificações! Será mesmo que, salvo em casos extremos, o homem fracassado torna-se reativo e psicologicamente frágil, enquanto o homem de sucesso uma espécie de fortaleza psicológica, serena e em paz? Ou será que, com maior frequência, quando se vence a adolescência psicológica, o fracasso ensina humildade e o sucesso tende a inflar o amor-próprio, o qual aprisiona, perturba, paralisa, e afinal provoca um desgosto tão severo que o homem humilde só com muito esforço consegue conceber? Qual deles será que mais teme o fracasso? Qual deles mais se inquieta com o que tem a perder?… Esse é o maior problema da ciência. O homem maduro, que não se resume a um amontoado de moléculas, se voltar os olhos ao passado, seguramente dirá: “Graças a Deus fracassei”.