Ah, recordações!… É mesmo algo indescritível brincar de revivê-las, experimentando mentalmente aquilo que não se pôde viver. Dizer o que não se teve coragem, estender um momento que o acaso interrompeu… E então ficar a refletir no que poderia ter sucedido. É verdade: o mais das vezes, nada extraordinário, e o exercício não passa de uma brincadeira imaginativa. Extrai-se dele algum prazer; mas, afinal, conclui-se ter ocorrido o que havia de ocorrer.
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Muito em razão desta cultura digital…
Muito em razão desta cultura digital, dos dispositivos inteligentes, da informação cada vez mais instantânea e mais mastigada, da onipresença de inumeráveis telas simultâneas, tornaram-se extremamente comuns as dificuldades de concentração. O problema ocorre, naturalmente, porque o homem moderno, cada vez menos, tem necessidade de pensar. Quando a necessidade surge, há maneiras de delegar o raciocínio. O resultado é que se vive num estado meio aéreo, desfocado, e se desenvolve uma infinidade de impulsos prejudiciais à concentração. Pela falta de prática, tal habilidade se perde. Como, pois, restaurá-la? Tão simples como o diagnóstico precedente, é possível respondê-lo numa única palavra: praticando-a. E como? Ora, através de qualquer atividade que a exija, que isole o meio, que absorva. Uma leitura, por exemplo; desde que desperte grande interesse, um tal que se sobreponha aos impulsos dispersantes. Mas para vencer realmente o problema, para reacostumar a mente ao ato de centrar-se, àquela ekagrata ou one-pointedness de que falam os indianos, talvez não haja solução melhor que a velha meditação associada ao valioso e penosíssimo estudo do latim.
O behaviorismo teve o azar de ser desenvolvido…
O behaviorismo teve o azar de ser desenvolvido por mentes pouco filosóficas, as quais se valeram de bons experimentos, mas tiraram más conclusões. Ensinou um bocado, decerto, mas já é como um fóssil para a psicologia atual. É uma pena. Havia campo vastíssimo para comprovar, por vias intermináveis, a seguinte verdade: o homem se inclina ao humano; o boi ao bovino. Sempre.
Ironias à parte, temos muito de aprender…
Ironias à parte, temos muito que aprender não só com as lagostas, mas também com os chimpanzés e até com os ratos, uma vez que a ciência nos ensina que nossos materiais genéticos são praticamente idênticos. Quem diria que, afinal, as diferenças qualitativas são menores do que se supunha no tempo de Aristóteles, quando não havia ferramentas de medição, senão a mente. Agora, podemos tomar consciência de que o que difere um homem de um rato não é mais do que ilusão! Sem dúvida, é interessantíssimo esse inovador método da neurociência, que estuda animais para tirar conclusões sobre seres humanos. É o contrário do que faz a psicologia, que estuda seres humanos e tira conclusões sobre animais.