Os problemas mais irritantes são aqueles cuja compreensão é insuficiente para solucioná-los. São aqueles com os quais se tem de lidar por um período prolongado, e mesmo que o seu mecanismo seja perfeitamente compreensível, mesmo que sua solução seja claríssima, não se pode vencê-los por não se possuir os meios para tal. Daí que cada aparição opera como que uma martelada na mente, uma martelada dolorosa, exasperante, que tem de ser absorvida em silêncio, visto que a reação é inútil e só aumenta a irritação. O pior de tais problemas é parecerem injustificáveis no momento seguinte à sua compreensão; quer dizer, o que tinha de ensinar, já ensinaram; mas mesmo assim, por birra, eles insistem em não desaparecer.
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É difícil mensurar o quão útil pode ser…
É difícil mensurar o quão útil pode ser o domínio de ao menos um destes grandes sistemas simbólicos, de forma que o raciocínio tenda naturalmente a encontrar vínculos entre a realidade e a miríade de interpretações simbólicas tradicionais. Tais correspondências nunca se esgotam, e aprofundam muito a compreensão da realidade. Um evento simples, pois, adquire para a mente um sentido mais amplo. E ganha-se mesmo quando não se está conscientemente o tentando interpretar, posto que a mente assim treinada se inclinará sempre a ultrapassar a camada de significado superficial.
De início, é descobrir-se agente…
De início, é descobrir-se agente, é levar ao limite as próprias capacidades, até que se possa senti-las esgotadas, insuficientes. Então, é reconhecer a impossibilidade de apoiar-se tão somente nelas, e a necessidade de amparo maior. Tal amparo é possível! Mas o homem, para percebê-lo, costuma ter de, primeiro, fracassar. É quando o mundo desaba, é quando o esforço parece inútil e o anseio impossível que o homem se capacita a perceber quão erroneamente é capaz de julgar.
As longas esperas são sempre mais ou menos penosas
As longas esperas são sempre mais ou menos penosas, porque desviam o foco daquilo que se espera para a atual privação. Contudo, acostumam aos estorvos, e à força ensinam a mirá-los sem desesperar. Obviamente, tal lição é pouco grata e, se fosse possível, não seria tomada por ninguém. Quando, porém, o tempo passa, quando a sorte permite e enfim acaba a espera, pode-se fazer um juízo diferente. E então se percebe que, sem ela, o estado precedente se apagaria na memória, e com ele a noção exata da verdadeira graça psicológica em que consiste o estado atual.