Não parece nem um pouco seguro tentar…

Não parece nem um pouco seguro tentar estabelecer paralelos entre a aptidão física e a personalidade intelectual de escritores, e a prova disso é que, apenas pelo texto, dificilmente se tem uma pista daquela. Contudo, é muito interessante quando descobrimos que um escritor foi, também, atleta enquanto viveu. O fato é menos interessante pelas possíveis proezas realizadas, e mais pela importância do hábito atlético na rotina: pela necessidade, e pelo colher dos benefícios de exercitar-se. Há, decerto, exercícios e exercícios; contudo, é notório que, desde que executados com alguma intensidade, o trabalho depois deles flui muito melhor. A diferença é sensível: ao trabalho físico sobrevém um relaxamento, uma serenidade positiva para a atividade intelectual.

A diferença entre o intelectual jovem…

A diferença entre o intelectual jovem e o intelectual maduro é esta: o último tem coragem para assumir a responsabilidade pelo que diz. Parece pouco, mas não é. O jovem é, frequentemente, lógico e rebelde, é capaz de críticas ferozes e perspicazes; mas, o mais das vezes, não tem coragem de fazê-las expondo o seu rosto, nem atrelando a elas seu nome completo. Em suma: não tem coragem de assumi-las, muito menos de sofrer as consequências de sua provocação. O tempo passa, porém. E a temperança que costuma conferir pode enganar sobre este quesito: o intelectual maduro, embora pareça mais comedido, não tem medo de ir até o final.

Dez anos de estudo independente…

Dez anos de estudo independente bem estruturado colocam o estudante acima de qualquer professor universitário brasileiro que não tenha sido, também, um bom estudante independente. Não faz diferença a área de atuação: a academia não forma, sozinha, intelectuais dignos do nome, e não lhes confere a integração necessária do conhecimento especializado no conhecimento geral. As razões para tal podem ser debatidas, não o fato escandaloso de que a especialização o mais das vezes restringe o horizonte intelectual ou, antes, de que os especialistas se mostram míopes para qualquer coisa que extrapole sua restrita área de especialização. É curioso porque, em tese, não há erro estrutural aparente: a especialização só é possível após a graduação. Mas esta parece insuficiente, se não perniciosa, e não produz graduados prontos para se especializar.