Vulgarizou-se a noção de que um jornalista, para provar-se competente num programa de entrevistas, tem de colocar o entrevistado numa saia justa, tem de confrontá-lo, desmascará-lo, evidenciar nele os defeitos e contradições. O jornalista, portanto, se é competente, tem de exercer com maestria o papel de acusador. Se, por exemplo, pensa um pouco diferente, e acredita que sua função não é senão tentar extrair o melhor, o mais interessante do entrevistado, deixando-se ocultar na temática que deve sobressair, tem de renascer em outros tempos, pois não há espaço para tal postura no jornalismo atual. Um programa de entrevistas existe para estimular embates, interrupções e perguntas capciosas. E o entrevistado, para que o público o possa absolver ou condenar.
Tag: comportamento
Aquele que se expõe ao público…
Aquele que se expõe ao público, se faz algum sucesso, pode estar certo do seguinte: haverá, sem dúvida, um dia ruim, um dia em que, por qualquer motivo, demonstre fraqueza, falhe ou simplesmente provoque uma má repercussão. Neste dia, surgirão detratores de todos os cantos, em número muito superior ao que julgar possuir. O coro passará impressão de unanimidade; o que disser soará como o senso comum. Sua imagem, portanto, sofrerá um abalo, e momentaneamente ninguém se lembrará daquilo que fez e que é. Será, é claro, uma experiência assaz desagradável; mas publicidade significa ter de vivê-la, e saem fortalecidos aqueles que a suportam sem desequilibrar.
Exatamente como não se pode fugir da inveja…
Exatamente como não se pode fugir da inveja ou de inimizades indesejadas, não se pode evitar antipatias instantâneas e fatais. É mesmo intolerável: o inútil destas experiências salta aos olhos; um homem comum faria de tudo, abriria mão de quase tudo para evitá-las. Mas não tem essa opção. O príncipe deste mundo tem ideias, e o força a vivê-las sempre, não importa o quanto as deteste e o quanto tente delas se esquivar. Acordará feliz, num daqueles dias em que a vida parece fluir suave, controlada, prazerosa, e então se azedará tudo com o encontro desnecessário. Ri-se o diabo…
O investidor, não importa o quanto domine…
O investidor, não importa o quanto domine a literatura financeira, só entenderá deveras o que é uma crise quando vivê-la; quando, tendo os recursos inteiramente alocados em ativos financeiros, vir a crise estourar. Antes disso, o mais que souber será pouca coisa. Depois disso, pode enfim dizer que se batizou como investidor. E assim ocorre em inúmeras outras ocasiões. Às vezes, a natureza de uma experiência só pode ser assimilada quando o sangue ferve e o coração dispara: é somente a sofrendo que se pode captar o seu poder.