Se é verdade que o escritor, diferentemente do homem público, não costuma receber nesta vida a recompensa do seu trabalho, também é verdade que ele é praticamente imune a tudo quanto destruiria a carreira do segundo. Frequentemente, o que se dá é o contrário, e tomam caráter intrigante aqueles traços da conduta ou da personalidade que, ao homem público, seriam o escândalo certo. Neste sentido, o escritor é privilegiado, e desfruta a vantagem de não ter de falsificar-se para exercer a sua profissão.