Se fosse possível perceber, sempre que algo é perdido, aquilo que necessariamente se ganha com perdê-lo, a vida seria encarada de maneira muito diferente. Em primeiro lugar porque haveres pesam, consomem e acorrentam: a tristeza em perdê-los seria compensada pela consciência da liberação. Mas, sobretudo, porque perceber essa ambiguidade, às vezes velada, mas onipresente, é situar-se muito melhor numa realidade que simultaneamente priva e possibilita, deixando, sempre, espaço para o fortalecimento e para a afirmação.