Paralelo ao sentimento de que o mundo exige uma resposta individual às circunstâncias impostas, corre, às vezes latente, às vezes manifesta, a certeza de que o mundo, em verdade, é indiferente: nada exige e nada espera de ninguém. Daí que, em alguns, nasce um sentimento insuportável, um desamparo que redunda em inércia e desmotivação. O problema, decerto, está no mundo: está em tê-lo como árbitro, em querer tê-lo como amigo, em exigir dele recompensas. Já se vê que tudo isso brota de um desajuste interior. Ser indiferente à indiferença não basta, nem resolve nada; o que basta é ter algo estável como fundamento da motivação.