Não há como não se divertir com uma boa história de pescador, ainda que não se acredite em uma palavra dela. Mas, aqui, as peripécias, os exageros, e mesmo os absurdos provocam o riso, e não a aversão. Por quê? É interessante notar que existe esse tipo de mentira que diverte, que estimula e que gera um sentimento positivo no interlocutor. E ela abre espaço para todo um gênero literário em que a criatividade é livre para se manifestar. A história, quanto mais engenhosa e inverossímil, às vezes mais facilmente se grava na memória, e mais aumenta o mérito de seu autor. Talvez, o mistério deste fenômeno não seja de todo um mistério: nele, a mentira só funciona porque fundada na pureza de intenção.