A obra de Leopardi é prova de que não são necessárias muitas formas poéticas para produzir um forte efeito de variedade. Lendo os seus Canti, a última coisa que se sente é monotonia; e, ainda assim, lá estão sempre os decassílabos e seus quebrados. Contudo, pela variadíssima disposição dos versos e das rimas, nunca se sabe o que vem a seguir. E o cérebro, desafiado e entretido a captar a ordem, vai se satisfazendo do sentido que nunca se permite descair no banal. O problema da forma é real e relevante, mas só se justifica quando verdadeiramente há algo para se dizer.