É muito estranho comparar o cenário cultural brasileiro de meados do último século com o atual. De jornais a revistas, da prosa à poesia, havia muito em circulação que, ainda hoje, lê-se com interesse. Quanto à crítica, era exercida por nomes respeitáveis, que faziam o mais difícil: desbravar obras recém-publicadas e arriscar um parecer. O público leitor só ganhava, e desfrutava de um ambiente que, hoje, percebe-se não ser natural. O estranho é que, em míseras duas gerações, tudo aquilo acabou. O florescimento cultural parece ter essa característica: exige décadas de atividade e, quando parece consolidado, é aí que mais esforço exige para não desvanecer.