Esta obra é uma realização dificílima, na qual o autor, valendo-se de uma ferocidade mais própria do jornalista que do historiador, consegue verbalizar muito melhor que este último o sentimento condizente com os eventos do período abordado. É ainda mais difícil por ter-se provado duradoura, conquanto escrita no calor dos acontecimentos. Bem diferente é a imagem delineada por Eduardo Prado, quando comparada com aquela que outros historiadores, talvez por despropositada cautela, pintaram do mesmo período. Aquele governo provisório foi decerto o primeiro símbolo nacional da ascensão do homem sem virtudes, da consagração da esperteza canalha, responsável por uma profusão de atos indignos outrora impensáveis. Se não valesse por mais nada, esta obra já seria imortal por fazer justiça à figura talvez mais desprezível daqueles anos: o militar de espada virgem, o intelectual sem livros, o doutrinador de quinta categoria em cuja face já se poderia vislumbrar o glorioso futuro que viria a ter a perfídia no Brasil.