Tal como se nota nas personalidades individuais, parece muito conveniente fazer uma distinção, na literatura, que separe autores cujo espírito inclina-se ao conhecimento e autores cujo espírito inclina-se ao prazer. A poesia, mais do que os outros gêneros, evidencia tratarem-se de tipos muito distintos, nos quais os anos provocam transformações diversas, de maneira que, aos primeiros, a obra parece ser muito mais dependente desta evolução. Assim que a tendência é que estes produzam o melhor de sua obra no final, ganhando os primeiros livros um caráter meio que preparatório, de maior interesse para o biógrafo do que para o leitor comum. Já os outros, não é raro que a maturidade estrague aquela verve juvenil da qual dependem suas melhores composições.