Às vezes é difícil controlar o forte desinteresse…

Às vezes é difícil controlar o forte desinteresse para com a literatura e seus artifícios, o qual surge após um contato com o extraordinário numa história real. Vem à mente toda a crítica de Northrop Frye, sistematizadora de variadíssimas possibilidades criativas, divisões em gêneros, modos, usos particulares de símbolos, mitos, etc., etc. Tudo isso, enfim, assaz interessante, mas que parece nada diante de uma simples experiência real. Surge a pergunta: para que se lê e para que se estuda? E então percebemos que a literatura, como qualquer ciência, quanto mais as estudamos sob um prisma estritamente técnico, mais deixamos de lado aquilo que verdadeiramente justifica uma criação. Muito, muito difícil não querer mandar para o diabo todos esses expedientes e recolher-se para sempre ao silêncio e à meditação.