O desenvolvimento da linguística

O desenvolvimento da linguística, depois de Saussure, é impressionante e comparável à física, posto que, se folheamos obras antigas e recentes de qualquer destas duas disciplinas, ficamos espantados com o contraste. Quer dizer: tais disciplinas transformaram-se ao irreconhecível; do que falam as obras recentes, as antigas não poderiam nem sonhar. Com a linguística, ocorre, porém, o seguinte: o estudante pode facilmente dispensar tudo quanto se tem escrito recentemente, e mesmo assim tornar-se um respeitável conhecedor do idioma. Pode, é claro, ganhar um bocado estudando as obras atuais; mas é preciso que tenha uma forte base linguística, algo que não é conferido por elas. Se começa, contudo, o estudo pelo que há de mais novo, o mais provável é que se confunda até o desespero, e acabe tendo pavor do idioma que fala. Incrível! A simplicidade dos antigos mestres, já inimitável, parece garantir para as suas obras mais um punhado de reimpressões.