O mesmo impulso ordenador…

O mesmo impulso ordenador que faz o filósofo tem, para o poeta, peso importante, mas diferente. Tal impulso delineia, estrutura, organiza, faz com que uma obra poética seja compreensível, justificada; potencializa o seu efeito posto que preenche os versos de sentido, colocando, no conjunto, cada coisa em seu lugar. Porém, uma obra poética costuma carecer de explosões, que amplificam o efeito da harmonia prévia e posterior, para além de seus efeitos expressivos mais óbvios. Pelo breve período em que se dão, às vezes tem de se suspender a ordem, tem se de permitir o caos; do contrário, o arroubo não se completa. Permitindo-o repetidamente, percebe-se que, afinal, são tais arroubos que mais marcam numa obra poética; portanto, os mais memoráveis são os breves momentos em que se rompeu com aquilo que teoricamente se pretendia fazer.