Apesar de já terem-no dito muitas e muitas vezes, é preciso repisar a mesma verdade, sabendo que ela continuará ignorada pela maioria: a intuição precede, e independe de sua expressão verbal. É preciso dizê-lo sempre porque sempre se encontram exemplos daquele que sabe, mas não consegue explicar o que sabe; e não saber explicá-lo, ou não conseguir explicá-lo de forma satisfatória, não quer dizer que não saiba. Em verdade, muitas vezes o problema está menos na explicação do que no interlocutor. Mas é indiferente: percebe-o apenas aquele que, ao menos uma vez na vida, obteve uma compreensão súbita de qualquer coisa, uma compreensão instantânea e confiável, que permitiu julgar e decidir com acerto, mas cujas bases escaparam à racionalização. Quem nunca a experimentou, ou não reparou experimentá-la, faz bem tendo ciência desta possibilidade, para que não erre tomando o conhecimento pela capacidade de explicar.