O homem moderno pode desprezar como bobagens os conselhos dos advogados das longas caminhadas, — numerosos e que congregam figuras desde os antigos até um Nietzsche ou um Taleb; — mas a verdade é que a vida se transforma sensivelmente, e para melhor, quando se cultiva o hábito de caminhar. Decerto, nem sempre se pode caminhar como aqueles homens, longa e despreocupadamente, fazendo da caminhada uma espécie de meditação em movimento, colocando em prática o solvitur ambulando; contudo, o homem que substitua o trânsito, o transporte público e os automóveis pela caminhada, deixando que esta, e os efeitos desta, participem de sua rotina, em vez e no lugar do inevitável desgaste proporcionado por aqueles, testemunhará que sua vida tornou-se significativamente melhor. Poucas coisas são tão seguras como esta: mover-se com o próprio corpo, pelo próprio esforço, na velocidade natural, todos os dias, muda por completo a disposição com que se acorda pelas manhãs.