Reclamam que a literatura contemporânea carece de vida, e que parece um castelo de palavras e ideias vazias. Ora, mas isso é o resultado prático e previsível daquela ideia de Saussure, segundo a qual o sentido de uma palavra não é senão a diferença entre ela e todas as outras. Eu mesmo, se penso um bocado nesta linguística moderna, sinto-me lentamente deixando de ser homem e virando palavra. Com tamanho avanço na nova ciência, imagino que, após uma pós-graduação em linguística, o sujeito já deve se tornar apto a enxergar o seu nome em vez de sua cara num espelho. Nada há de que se espantar.