As longas esperas são sempre mais ou menos penosas, porque desviam o foco daquilo que se espera para a atual privação. Contudo, acostumam aos estorvos, e à força ensinam a mirá-los sem desesperar. Obviamente, tal lição é pouco grata e, se fosse possível, não seria tomada por ninguém. Quando, porém, o tempo passa, quando a sorte permite e enfim acaba a espera, pode-se fazer um juízo diferente. E então se percebe que, sem ela, o estado precedente se apagaria na memória, e com ele a noção exata da verdadeira graça psicológica em que consiste o estado atual.