Imaginar que tenha havido um Carpeaux antes da invenção do computador dá o que pensar. Um leitor ativo, no correr de uma década, produz uma quantidade de anotações que ultrapassa os milhares. Três, quatro décadas de estudo, portanto, equivalem a um montante que cabeça humana nenhuma é capaz de abarcar, a não ser que seja executado um trabalho constante de releitura e reorganização, que nunca cede porque sempre há velhas anotações a serem revisitadas, e sempre há novas ideias, novas conexões a serem estabelecidas a partir desta revisitação. Um computador, se utilizado com inteligência, facilita tremendamente a pesquisa: uma tarefa de uma hora, às vezes, é reduzida a minutos. Ainda assim, parece quase inalcançável a condição daqueles antigos eruditos, cujas anotações residiam enfiadas nos próprios calhamaços — algo que, hoje, faz arrepiar.