É compreensível a agitação, o inconformismo daquele que se sente supinamente ignorado, desmerecido ou injustiçado. Mas acontece o seguinte: é quase sempre inútil, e não costuma causar boa impressão aquele que faz o papel de advogado ou propagandista de si mesmo. Não vence a tal injustiça, e pode fortalecê-la com a pecha de vaidoso. Aquela é prato que se deve mastigar em silêncio, sem reclamar do excesso de sal. É preciso engoli-la sem perturbar-se, como quem aceita o destino, e satisfazer-se da não perturbação. Porque, afinal, o mundo nunca foi juiz confiável, e não se deve buscar nele nenhum tipo de orientação.