É uma pena que o homem não possua…

É uma pena que o homem não possua um instinto de preservação que o encoraje a cortar a própria língua antes que se degrade irremediavelmente na difamação. Há casos em que, se tal instinto existisse, a biografia seria outra. É preciso pensar muito bem antes de ceder a esse impulso terrível, que mais cega quanto mais parece justo. Em geral, melhor se difama aquele que melhor se conhece, e a melhor maneira de se conhecer é travar intimidade, a qual muito dificilmente se dá desprovida de algum grau de gentileza, de cordialidade mútua, pelo qual se deve agradecer. Logo se vê onde tudo isso desagua: não há manifestação mais desprezível do que a ingratidão.