Interessante experiência esta de ler, em sequência, O mestre e Margarida e The razor’s edge, obras muito diferentes. Não há como não se impressionar com a engenhosidade da primeira: a leitura corre leve; intriga e sugere; desde o princípio não esmorece o anseio pela página seguinte. É uma obra-prima. Já a segunda não ostenta essa criatividade exuberante. Acontece, porém, o seguinte: um romance, para ser escrito, exige determinadas qualidades do autor; por isso, a experiência habilita a escrever com propriedade sobre assuntos vedados à juventude. Assim que o crítico, talvez com acerto, poderá dizer que o romance de Bulgákov é artisticamente superior; mas o filósofo, também com acerto, poderá notar que talvez não haja objetivo mais nobre para um romancista que desenvolver as qualidades que Maugham revelou possuir.
