A influência de um autor pode ser medida quando se repara o quanto imitaram suas excentricidades. Salvo Gonçalves Dias, provavelmente nenhum escritor brasileiro jamais viu um índio de verdade. Ainda assim, a literatura indianista virou moda, lançando algumas dezenas de obras ociosas, quase ilegíveis, porque obviamente falsas. Todos esses nomes de plantas, de bichos, de tribos, só se harmonizam com a tradição vernácula portuguesa quando tal harmonia não representa senão a essência íntima do autor. Evidentemente, trata-se de uma excentricidade, que cai bem em Gonçalves Dias porque poderia, ela própria, chamar-se Gonçalves Dias. Quantos, porém, não o notaram! E então, à vista da lindíssima Baía de Guanabara, gastaram o ócio falando de índios que nunca viram! Felizmente, os melhores aprenderam das tentativas falhadas, e um anjo os convenceu de que, para fazer boa arte, basta tomar como matéria-prima aquilo que os olhos conseguem ver.