Diz Dante Milano, no ensaio O verso dantesco…

Diz Dante Milano, no ensaio O verso dantesco:

Em nenhum idioma o “r” soa com tantas vibrações como no italiano. E é desta letra que Dante tira os mais fortes efeitos ver­bais. Ela é que exprime toda sua cólera. E nenhum outro idioma possui essa força verbal, essa raiva na boca, nos olhos, nas mãos e nas palavras, esse poder de expressão que parece estraçalhar o vocabulário.

Percepção um tanto curiosa… A mim, parece o italiano um idioma muito mais equilibrado diante de suas línguas irmãs, bem próximo ao português, com a diferença que o italiano não possui este fonema gutural fricativo que vemos em “rio”, “Recife”, “raio”, e que, em muitas regiões, como a em que vivo, é também empregado nos “rr”. Comparado ao espanhol, a diferença é mais evidente: o espanhol treme muito mais que o italiano com seus abundantes “r” e “rr”, além de empregar idêntico gutural fricativo no “j”, no “g” antes de “e” e “i”, e no “x” nalguns casos. Se foneticistas o não consideram propriamente um “r”, problema da fonética!, porque o potente fonema não será melhor definido pelo ouvinte senão como um “som de r”. E se o italiano parece tremer pouco diante do espanhol, é diante do francês que mais se evidencia suave — do francês, no qual o gutural fricativo parece dez vezes amplificado e se entranha em todos os períodos, como um som entalado na garganta do falante, que dele jamais se poderá libertar. Quiçá o ouvido se deixe influenciar por experiências que transcendam a fonética. É razoável…