Elon Musk continua, semanalmente, me atiçando a fazer uma loucura. Segundo ele, o meu futuro já está garantido, a minha vida já está ganha. “Não se importe com o dinheiro”, aconselha-me o multibilionário. E eu, emocionadamente querendo convencer-me, repasso em mente exemplos que vão de Fernando Pessoa aos renunciantes da Índia, de Taleb a São Francisco de Assis. Tudo converge para o ato desarrazoado que, diz-me agora minha própria mente, se provar-se mesmo desarrazoado, será pelo menos corajoso, estimulante ou, no pior dos cenários, singular. “Vou chutar o balde!”, digo a mim mesmo, sabendo que não serei capaz de fazê-lo. Eu, imaginando qual tamanho teria a pilha de meus insignificantes boletos ainda a serem pagos, só posso sorrir a Elon Musk.