Em tese, Meetings with remarkable men, de George Gurdjieff, foi concebido com “objetivos semelhantes” aos da Autobiografia de um iogue, de Paramahansa Yogananda. Mas só mesmo entre aspas se pode dizê-lo, porque a discrepância entre as obras é tão gritante, que não seria exagero tê-las como modelos, uma da verdade, e outra da falsificação. Uma delas é deveras instrutiva, apresenta homens verdadeiramente notáveis e atinge, pois, o seu “objetivo”; já a outra se resume a uma sucessão de relatos cujo propósito não é senão inflar o ego de um autor que, sempre que parece estar prestes a dizer algo importante, astuciosamente afirma que apenas o dirá num volume ainda a ser publicado e que você, leitor, terá de comprar. Mas, sobretudo, o que ambas as obras escancaram é um contraste entre personalidades se não opostas, absolutamente distintas. As qualidades que transparecem em Yogananda faltam por completo em Gurdjieff: o primeiro inspira respeito e admiração, enquanto o último somente antipatia.