Espanta haver críticos literários profissionais, e dos bons, que tenham escrito linhas e linhas sobre Augusto dos Anjos sem jamais suspeitar que o “poeta da melancolia”, ao encaixar no verso vocábulos como “helminto”, “ancilóstomo” ou “cólpode”, poderia fazê-lo aos risos. Mas não… há críticos que, a bem da verdade, não fizeram senão interpretar o poeta — um poeta! — em sentido literal. E, em sentido literal, a melancolia e o desespero vão bem longe do humor, não é mesmo? Que coisa! Dizem tolices monumentais e engraçadíssimas aqueles que não captam o quão divertido devia ser para Augusto dos Anjos, após a criação genial de sua personalidade poética, forçar os versos a atingir o cume da excentricidade. Talvez jamais artista algum tenha-se divertido tanto ao dar vazão a um conteúdo psicológico tão verdadeiramente angustiante. Porque, em seus versos, são verdadeiros o desespero, a melancolia, a angústia e, também, o humor. Não percebê-lo é não perceber nada.