Na vida de estudos, cedo ou tarde…

Na vida de estudos, cedo ou tarde, tem de ser desenvolvida a habilidade de lidar com o paradoxo de que só se deve, ou só se deveria ler aquilo que se deseja reter, embora o conhecimento de pilhas e pilhas de livros seja necessário para o avanço em qualquer estudo sério. Para este dilema, nunca há solução definitiva. É preciso ler, e ler lentamente; mas o interesse real que sustenta a leitura atenciosa quer ir atrás de fontes, quer alargar mais e mais a própria compreensão: o resultado é uma lista de próximas leituras que só cresce, indefinidamente. Logo se percebe que não é possível ler tudo quanto se pretende, que é preciso escolher. Mas escolher já encerra outro problema: é preciso mesclar o seguro ao misterioso, ao inexplorado, pois nunca se sabe exatamente o que neles se pode encontrar. Enfim, o estudo tem de se deter em listas, títulos, índices, e se não encontra tudo o que procura, é força reconhecer que a finitude denota necessariamente um limite naquilo que se pode procurar.