Manter baixas as expectativas, viver modestamente e, sobretudo, saber dizer não às oportunidades de alterar os preceitos anteriores. Assim se obtém quase a satisfação, alcançada, finalmente, pelo empregar o tempo naquilo que se quer.
Categoria: Notas
A verdade não dita pela crítica literária
A verdade não dita pela crítica literária é que, afinal, pouco importa a construção de personagens, o arco dramático, a descrição de ambientes e demais bobagens quando o que se cria é produto isolado do engenho mental. Basta de mentiras! O que importa na literatura é a transubstanciação para as letras de experiências vivas e pessoais, que se gravaram no íntimo do autor e que, por humanas, merecem interesse universal.
A radical decisão de Cioran
Vem à mente a radical decisão de Cioran que, banindo o idioma materno da mão e da língua, prometeu-se jamais ganhar a vida senão pela pena, isto é, jamais trair a vocação reconhecida para ganhar mais dinheiro noutra ocupação qualquer. O resultado foi uma óbvia e permanente ausência de conforto, para dizer o mínimo de um escritor que isolou-se num cubículo alugado, sustentando-se através de uma como esmola e alimentando-se num refeitório popular, quando o intelecto o permitiria possibilidades infinitamente superiores. Tudo isso parece sugerir que faz bem sempre nos perguntarmos mentalmente antes de abrir um livro: de quanto este senhor abriu não para escrever?
A desilusão é sempre proporcional à expectativa
A desilusão é sempre proporcional à expectativa. Dizê-lo talvez seja platitude desnecessária, mas a verdade é que é preciso uma força incrivelmente grande para frear os imponderados sonhos, nos momentos em que estes aparentam plausíveis. Não o fazendo, arrisca-se às também incrivelmente grandes decepções que se lhes decorrem, cujo risco talvez justifique tal platitude ser repetida até que o cérebro se convença de que, muitas vezes, o melhor a fazer é não sonhar.