Se é verdade que os pequenos desvios…

Se é verdade que os pequenos desvios retardam e atrapalham o progresso, também é verdade que o tempo os apaga, o que talvez demonstre que, afinal, não é razoável tê-los como objeto de grande preocupação. Por isso, faz bem ter em mente o conselho de que, para suceder, basta não desistir. O resultado acaba sempre em evidência, e quando este é satisfatório, pouco importa o quanto se errou para alcançá-lo.

Algo muito impressionante na técnica…

Algo muito impressionante na técnica, na arte, no estudo, e mesmo na personalidade, é notar um padrão de desenvolvimento frequente, no qual se observa um avanço lento, mais ou menos regular, que se arrasta por anos a fio. Então, quando se parece estabelecer uma constante, ocorre um salto, e o patamar atingido parece incompatível com o processo anterior. Vêm à mente os gráficos de Taleb. Como explicar que sejam tão frequentes? O esforço contínuo parece necessário, mas não pode conter em si mesmo a explicação. A história, contudo, se repete, e ainda que não seja compreendida, faz bem que seja admirada e tomada como inspiração.

Todo bom adolescente chega à vida adulta…

Todo bom adolescente chega à vida adulta conhecendo suficientemente bem os elementos da psicologia de grupo que regulam o grosso das associações humanas de todas as espécies. Portanto, se, já adulto, adere a um clube, sabe por experiência aquilo que deve esperar. Alguns acham-no naturalíssimo, outros nem tanto; mas todos acabam cedendo, uma e outra vez, ao instinto gregário que os impele à associação. O natural é que a empolgação passe, as frustrações se acumulem, e um belo dia se descubra o aconchegante refúgio do eu. Mas há, também, uns raros afortunados que se deparam com um tipo de associação diferente; a estes, o mais justo é limitar-se a direcionar sinceras congratulações.

Se é legitimado pela repetição o drama…

Se é legitimado pela repetição o drama do jornalista que passa a vida carregando o sonho frustrado de fazer literatura, é preciso notar que, na maioria dos casos, tal sonho não passa de uma imagem idílica, como qualquer outra, concebida sem reflexão. O jornalista frustrado nunca reflete sobre aquilo que o jornalismo lhe proporciona e a literatura muito, mas muito dificilmente poderia igualar. Em primeiro lugar, um salário; depois, reconhecimento e reputação. Se bem analisarmos, são coisas sem as quais qualquer jornalista só se imaginaria trabalhando num pesadelo. Mesmo o pior jornalista recebe um salário e goza de algum prestígio, tem algum público que o escuta e que o lê. Num cenário sem nada disso, ainda faria literatura? É claro que não. Portanto, o alegado drama é sempre mais fantasioso que real.