Os neurocientistas, estudando lagostas, concluíram que o ser humano fracassado tende a ser física e psicologicamente mais reativo a eventos que suscitem emoções, especialmente aqueles negativos, em razão de seu baixo nível de serotonina. Em contrapartida, o ser humano bem-sucedido terá a disposição contrária: será menos reativo, menos alerta, distinguindo-se como alguém calmo e confiante. Ah, como são lindas as simplificações! Será mesmo que, salvo em casos extremos, o homem fracassado torna-se reativo e psicologicamente frágil, enquanto o homem de sucesso uma espécie de fortaleza psicológica, serena e em paz? Ou será que, com maior frequência, quando se vence a adolescência psicológica, o fracasso ensina humildade e o sucesso tende a inflar o amor-próprio, o qual aprisiona, perturba, paralisa, e afinal provoca um desgosto tão severo que o homem humilde só com muito esforço consegue conceber? Qual deles será que mais teme o fracasso? Qual deles mais se inquieta com o que tem a perder?… Esse é o maior problema da ciência. O homem maduro, que não se resume a um amontoado de moléculas, se voltar os olhos ao passado, seguramente dirá: “Graças a Deus fracassei”.