O artista nunca se deve fiar na aparente qualidade daquilo que cria, porque é este um parâmetro que, definitivamente, não lhe cabe e nem cabe aos seus coevos julgar. Na pior das hipóteses, deve suportá-la. Fazer arte é direcionar o esforço para a concretização de uma imagem mental sob uma forma artística; fazê-lo, enfim, é dar vida a uma ideia. Na medida em que esta lhe pareça justa e o convença e comova, o trabalho é representá-la com sinceridade e potência, representá-la de maneira que faça jus à vivacidade da representação mental. Quanto ao resultado, ao artista importa somente o grau em que foi possível expressar aquilo que se tencionou expressar, quer dizer, se foi ou não fiel à própria ideia — o que, finalmente, representa se foi ou não fiel a si mesmo.
Há, sim, uma satisfação experimentada…
Há, sim, uma satisfação experimentada ao término da penosa escrita de um livro que não se limita ao sentimento de que “finalmente acabou”. Quando se está há algum tempo nesta rota, e o voto já se encontra suficientemente justificado e afirmado e, portanto, o espírito já se afastou daquela empolgação pela novidade e pelo teste, cada obra que se concretiza é um passo adiante em direção ao objetivo primário, responsável por motivar a decisão de escrever. Esta, quando deliberada, tão somente vislumbrava os possíveis resultados que, paulatinamente, a cada obra escrita, se vão enfim materializando e efetivando o plano inicial. Assim, experimenta-se o finalmente mas experimenta-se, também, a sensação de que menos se fantasiou.
A possibilidade de fechar um livro
A possibilidade de fechar um livro, tal como as de pular capítulos, avançar ou retroceder, nunca deve deixar-nos a mente enquanto lemos, posto que a leitura, para que bem aproveitada, deve ser motivada e sustentada por nosso interesse. A menos que fale mais alto um dever inarredável, que alicerce portanto a necessidade de ler da primeira à última linha, quando se manifesta um súbito desinteresse durante a leitura, é preciso agir para evitar a perda de tempo e até a incompreensão. Lembrando-nos sempre de que a leitura é uma escolha, podemos aproveitá-la muito mais.
O intelectual morre no instante…
O intelectual morre no instante em que perde aquela curiosidade característica do jovem estudante, sedento por aprender. Não se baseia em outra coisa a própria atividade intelectual, que exige esforço permanente, entusiasmo pelo desconhecido e vontade de investigá-lo e apreendê-lo. É por isso que, a despeito de quanto lhe suceda, o intelectual não poderá jamais permitir que se apague esta chama, do contrário, juntamente dela se apagará.