Se medimos o poder pela aptidão — disponibilidade de meios — para a corrupção da vontade ou ação alheias mediante a imposição da própria vontade, vemos que o poder é sempre o reflexo de uma relação de domínio. Se quebramos a relação e isolamos o lado dominador, analisando-o de si para consigo mesmo, notamos que tal poder é inútil e ordinário. O desejo de poder, na acepção vulgar, é sempre um desejo que foca as lentes no outro, na subjugação do outro, no fortalecimento perante o outro — e, por isso, abjeto. Desejar influência é demonstrar-se alguém que, não obstante a vaidade manifesta, reputa o outro em destaque na equação da própria vida — menosprezando-o, porém, como inconscientemente menospreza a si mesmo.
A evolução exige a ruptura e a expansão do horizonte
A evolução exige, repetidas vezes, a ruptura e a expansão do horizonte; o afastamento do passado e à abertura ao desconhecido. Crescem os que trilham novos caminhos, bebem de diferentes fontes, impedindo o viciar da própria natureza. A marca da genialidade é a captação de vínculos inesperados entre matérias aparentemente desconexas.
O Estado é uma máquina tirânica odiosa
O Estado é uma máquina tirânica odiosa cujas funções resumem-se em decretar leis, forçar os cidadãos a engoli-las e punir quem se indisponha a fazê-lo. Seus meios são a opressão e o mando; seus recursos são quanto toma à força do indivíduo. Entre todos os deuses do panteão moderno, é este talvez o mais repugnante, cuja atuação nunca pode ser aprovada por aquele que aprendeu a valorizar honra e liberdade. Blasfemar contra esse monstro corruptor de almas e valores é dever moral.
Todo artista deveria ansiar pelo anonimato
Todo artista deveria ansiar pelo anonimato, pois com paredes é possível travar diálogo sincero sem incorrer no risco de sofrer incômodos. As paredes aceitam silenciosas que a arte evolua e a expressão torne-se cada vez mais potente. Contudo, parece a publicação, — isto é, a sujeição à perseguição, — um dever do artista, em honra de todos aqueles que o precederam e padeceram do ódio dos imbecis.