O escritor profissional tem obrigação de ter sempre em mãos uma caneta

O escritor profissional tem obrigação de ter sempre em mãos uma caneta e um bloco de notas, — acordado ou dormindo, — sejam físicos ou virtuais. Do contrário, perderá grande parte de suas ideias, prejudicará seu trabalho e não será digno do epíteto profissional. Histórias tomam corpo, soluções são encontradas quando o raciocínio consciente descansa e o cérebro trabalha silencioso. Inopinada embora previsivelmente, ele se manifesta, então é dever do profissional registrar-lhe de imediato a manifestação, senão tende a perdê-la. Prezando pelo próprio trabalho, o escritor nunca se dará o luxo de desperdiçar seus momentos de inspiração.

A história de grandes homens que se destacaram da multidão

Já disseram — Carlyle? — que a história da humanidade é a história de grandes homens que se destacaram da multidão nula que a compõe. Disto, a tragédia moderna: a estrutura social democrática simplesmente coíbe a ascensão de grandes homens, colocando-lhes no lugar demagogos abjetos, escravos da vontade popular. Para ascender e alcançar reconhecimento, o homem moderno precisa transformar-se num porta-voz da maioria estúpida, deixando de lado sua individualidade para tornar-se um animador de circo, um agitador de multidões. Justamente o distinto é que não pode ascender, sendo esta possibilidade exclusiva para aqueles que se assemelham ao maior número possível de indivíduos. O fracasso!

É curioso como Kierkegaard, um escritor prolixo…

É curioso como Kierkegaard, um escritor prolixo, — que peca por ser prolixo, — dificilmente me irrita. Embora há trechos de sua obra que causam-me grande tédio, ainda assim não me provocam irritação. Já outros… Oh, Deus! O nome da vez é Jean-Paul Sartre. Como é possível que Sartre, um escritor notável, faça-me desejar desaprender a ler, quando suporto muitas e muitas páginas que sobejam da prosa de Kierkegaard? Parece-me que tolero a prolixidade quando noto o estado emotivo do autor, quando noto que o tema lhe é caro e, sobretudo, quando noto-lhe a sinceridade. Em contrapartida, se o autor despende palavras em nada, se foge do tema proposto, perdendo-se em raciocínios fúteis e vaidosos, gastando-me a vista, então um impulso incontrolável aponta-me o caráter exasperante do que estou a ler. Fecho a obra, bato-a contra a prateleira e verbalizo um insulto. Às vezes, arrependo-me… Não é o caso. Indescritível a alegria de abandonar Sartre para puxar um volume de Helena Blavatsky. Santa irritação!

Nostalgia do tempo dos duelos

Hoje, um imbecil sente a vaidade arranhada e, em vingança, age à socapa para prejudicar o outro, movendo contra ele uma campanha de ódio — isto é, incitando outras pessoas a odiá-lo; congregando uma maioria covarde. Há alguns séculos o ofendido, o verdadeiramente ofendido, podia lançar mão do desafio, requintando-o caso deixasse a escolha da arma a cargo do desafiado. Este, recusasse, assumia-se covarde e a honra do ofendido era automaticamente desagravada. O duelo era instrumento que atirava ofensores em péssima situação: o ofendido só tinha a ganhar. Perdendo o duelo, saia como corajoso; vencendo-o, tinha o prejuízo moral retribuído. Como tudo mudou! Nesta era de covardes, o duelo em condições de igualdade já tornou-se literatura: não há quem desafie e muito menos quem tenha coragem de aceitar um desafio. Naquele tempo, onde a possibilidade de um duelo era patente, as pessoas respeitavam-se mais.