O segredo de muitos escritores consiste em amplificar…

O segredo de muitos escritores consiste em amplificar, exagerar uns poucos traços que, em suas personalidades, já se mostram naturalmente salientes. Para fazê-lo, porém, é preciso vencer aquele receio inicial do que os leitores poderiam pensar. O curioso é que, quase sempre, são estes receios infundados, e o exagero cristaliza-se em estilo, torna-se o maior indicativo da verve individual. Vemos o efeito, e então o comparamos com os exemplos contrários, daqueles escritores que aparam as próprias saliências, como se buscassem parecer mais “normais”. Parece que a aceitação almejada não se alcança, e afinal suas obras causam uma má impressão. No confronto direto, em última instância, o público sempre prefere os loucos aos sem graça.

Paralelo ao sentimento de que o mundo exige…

Paralelo ao sentimento de que o mundo exige uma resposta individual às circunstâncias impostas, corre, às vezes latente, às vezes manifesta, a certeza de que o mundo, em verdade, é indiferente: nada exige e nada espera de ninguém. Daí que, em alguns, nasce um sentimento insuportável, um desamparo que redunda em inércia e desmotivação. O problema, decerto, está no mundo: está em tê-lo como árbitro, em querer tê-lo como amigo, em exigir dele recompensas. Já se vê que tudo isso brota de um desajuste interior. Ser indiferente à indiferença não basta, nem resolve nada; o que basta é ter algo estável como fundamento da motivação.

Em literatura, não se ensina o bom gosto

Em literatura, não se ensina o bom gosto, e também não se ensina, nem se pode racionalizar, essa fina percepção que o bom leitor desenvolve e é infalível para detectar a falsidade num texto. Às vezes, mesmo que o autor impressione no manejo da linguagem, mesmo que a trabalhe com habilidade e, linguisticamente, o texto soe natural, tudo estará perdido caso ele careça de autenticidade. Neste caso, o falso berra e não há truque capaz de camuflá-lo.

Se é verdade que os pequenos desvios…

Se é verdade que os pequenos desvios retardam e atrapalham o progresso, também é verdade que o tempo os apaga, o que talvez demonstre que, afinal, não é razoável tê-los como objeto de grande preocupação. Por isso, faz bem ter em mente o conselho de que, para suceder, basta não desistir. O resultado acaba sempre em evidência, e quando este é satisfatório, pouco importa o quanto se errou para alcançá-lo.