A verdadeira personalidade aparece quando se retira a máscara social. Muitos, por receio, passam uma vida inteira sem que possam assumi-la, ou sequer conhecê-la. Disso, o efeito mais evidente é a permanente insatisfação. Não há nada que, nesta vida, substitua o gosto proveniente da autenticidade; para experimentá-lo, porém, é necessário um ato de coragem, sempre disruptivo, de consequências, a curto prazo, o mais das vezes desagradáveis. Ocorre que, muito antes do que se espera, vai-se o choque inicial e sente-se como uma libertação de constrangimentos infinitos, todos eles decorrentes da infeliz tentativa de parecer aquilo que não se é.
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A maturidade talvez se faça notar…
A maturidade talvez se faça notar por ser a fase em que se torna impossível começar uma empreitada e posteriormente abandoná-la, em que se pensa sempre no fim e aquilo que se faz é feito para que, se não termine num ponto previamente definido, perdure pelo resto da vida. É uma fase em que desaparece o ânimo pelo teste curioso e passa-se a agir com segurança e resolução. É uma fase, pois, em que se enxerga simultaneamente a motivação e o objetivo, só movendo esforços em prol daquilo que esteja em consonância com a natureza interior. Há homens que jamais a alcançam…
Fatigados da intriga…
Mais uma de Maricá:
Chegamos a uma idade em que, fatigados da intriga e trapaçaria humana, preferimos o retiro à companhia e sociedade dos homens.
Esta ventura, com sorte e idealmente, tem de ocorrer antes dos trinta, quando menos se perdeu e mais se tem a ganhar. Após esta idade, a falta de vivência cobra um preço demasiado alto… São muitas as ilusões toleráveis, e até benéficas que se pode carregar no curso de uma vida; a ilusão com os homens, porém, quanto antes erradicada, melhor.
A civilidade chega a limar…
Outra de Maricá:
A civilidade chega a limar de tal modo os homens que por fim os deixa, sem cunho nem caráter, lisos e safados.
Civilidade é outro nome para o fingimento, ou a mentira indispensável para que exista atividade social. Praticá-la, se é necessário, é tarefa a ser executada com máxima cautela e sempre a contragosto. Se porventura deleite, ou chegue o momento em que já não desagrade, é sinal de que o caráter, se havia, se dissolveu.