Para atletas, nada há de mais frustrante que as lesões, sempre inoportunas. O que elas fazem é interromper a evolução e forçar uma pausa, a qual, se não respeitada, tende a agravar ainda mais a situação. Daí que, muitas vezes, o atleta tem de lidar com a perda de seu condicionamento construído a duras penas, enquanto repousa contrariado e observa seus companheiros e adversários progredirem. Pensa em quanto terá de se esforçar para recuperar o nível, sente toda a impotência perante a fisiologia, que lhe determina o tempo de recuperação. Afinal, não vê senão uma escolha para a recuperação plena e o retorno sem limitações: aguardar. A lesão, pois, o ensina a ter paciência. Se consegue superá-la, retorna mais maduro ao esporte: mais consciente, mais cuidadoso, capacitado a maiores provas. E cabe dizer o seguinte: a vida intelectual possui, também, as suas “lesões”.
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O melhor conselho para a vida intelectual…
O melhor conselho para a vida intelectual é nunca se distanciar da religião, nunca se permitir que os dias corram desprovidos de uma leitura ou de uma prática instrutiva, que não deixam o espírito distanciar-se daquilo que há de superior. O hábito tem de ser imposto, isto é, tem de ser continuado quando a mente se esquiva, para que influa quando não se está pensando, ou se esqueceu da influência que pode exercer. Forçar a rotina é não deixar que as fraquezas interrompam um processo gradual que remove obstáculos para que o intelecto possa florescer.
Algo bonito de se ver é o sujeito…
Algo bonito de se ver é o sujeito, já maduro, já dispondo de méritos invejáveis e já reconhecido excelente, pôr-se como um completo novato em alguma atividade, e exibir a humildade característica daquele que sinceramente quer aprender. Não é raro que, fazendo isso, ele pareça a renovar a própria vida, deixando que lhe brote na face a alegria autêntica de ser novamente um aprendiz. A quem observa, a cena é demasiado estimulante. E fica a certeza de que a vida só é devidamente apreciada por aqueles que se permitem continuamente aprender.
Chegou, enfim, o dia em que a multidão…
Chegou, enfim, o dia em que a multidão vocifera contra a semântica, guiada pelos novos especialistas em linguagem para os quais uma palavra não pode ter senão um único significado: aquele conhecido e reconhecido por eles próprios. E é assim que o adjetivo “negro” só pode referir-se à cor de uma pele. De um preconceito revoltante, portanto, dizer “noite negra”, “magia negra”, “dias negros” e similares. Que coisa… Para resolver o problema, bastaria consultar um dicionário; mas ocorre que este também se tornou intoleravelmente preconceituoso. Então é preciso fazer um exercício mental e perguntar, para além da etimologia da palavra, de onde pode ter surgido a noção que a fundamenta. Um homem com alguma cultura percebe de imediato que o adjetivo “negro” funda-se não na cor de uma pele, mas no simbolismo natural mais antigo, o mais básico e óbvio, captado pelo primeiro homem que pisou nesta terra no primeiro dia de sua vida, no simbolismo que representa a contraposição entre luz e trevas, claridade e escuridão, presente nas manifestações naturais mais evidentes entre todas: o dia e a noite. Obviamente, o especialista que o não compreende também não compreenderá a conotação negativa que brota desta última. Ele pode pressionar um interruptor e acender uma lâmpada em seu quarto a qualquer momento, algo que um homem de Neandertal não podia fazer. Ah, mas se o especialista passasse um único dia, sozinho, numa caverna! Lá, sem dúvida, haveria tempo e motivo para que revisasse o seu ilustríssimo conteúdo mental.