A altivez manifesta-se, sobretudo, na adversidade. Quando o vento sopra a favor é facílimo utilizá-la como máscara. Topando contratempos, porém, as máscaras caem, e o altivo distingue-se pela soberba virtude do silêncio. Postura firme, nervos de aço e resignação. Que venha a tormenta, qualquer tormenta! Altivez resume-se a nunca reclamar.
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O otimista carece de senso de humor
O otimista carece, sobretudo, de senso de humor. Se sorri, fá-lo desde que lhe não agridam as “convicções”. Não passa frequentemente de um fanático, apóstolo da crença no futuro luminoso, incapaz de caçoar de seus próprios e seguidos fracassos. Parece paradoxal brotar humor do pessimismo, mas é só aparência: o pessimismo surge do raciocínio, e o humor da modéstia imposta pelas conclusões ao intelectualmente honesto. O otimista não ri de si mesmo — portanto, geralmente não sabe pensar. O experimento é muito simples: ridicularize-se, por graça, um sujeito que afirma o futuro lhe guardar um pote imenso de ouro — ver-se-á imediatamente as veias lhe pulsarem de cólera. Faça-se parecido a um pessimista: chame-o de ranzinza, urubu ou reclamão — e ver-se-á, naturalmente, brotar-lhe um largo sorriso na face.
“Acredito no futuro do homem”
Um congresso que reunisse todos aqueles que dizem acreditar no futuro do homem acabaria, sem dúvida, numa terrível desavença. Discussões acaloradas, faces tingidas de sangue e olhares raivosos: somente assim se poderia passar. É simplíssimo o psicológico de alguém que venera palavras como “futuro” e “progresso”. Este alguém leva-se a sério, acredita em si mesmo, possui “convicções”. Acreditar no futuro do homem é acreditar em si mesmo como agente transformador, é ter soluções e querer propô-las, defendê-las, combatendo quem quer que apresente oposição. “Acredito no futuro do homem”, diz alguém, e o ouvinte inteligente já infere o “e você também deveria acreditar!”.
O homem assume-se injusto, mas nunca pouco inteligente
O homem assume-se injusto, grosseiro e mau-caráter, mas nunca pouco inteligente. Essa é-lhe a única humilhação intolerável. Mesmo o mais rasteiro dos ignorantes — e este principalmente — acha-se inteligente ou, no mínimo, esperto. Faça-se o mundo de auditório e solicite-se que levantem a mão apenas as bestas: nem uma única mão se levantará. O homem — ele e sua vaidade — não admite essa possibilidade. Do contrário, seria nivelar-se conscientemente a um animal — algo inadmissível, e impossível quando lhe falta justamente a consciência.