Manter baixas as expectativas, viver modestamente e, sobretudo, saber dizer não às oportunidades de alterar os preceitos anteriores. Assim se obtém quase a satisfação, alcançada, finalmente, pelo empregar o tempo naquilo que se quer.
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A radical decisão de Cioran
Vem à mente a radical decisão de Cioran que, banindo o idioma materno da mão e da língua, prometeu-se jamais ganhar a vida senão pela pena, isto é, jamais trair a vocação reconhecida para ganhar mais dinheiro noutra ocupação qualquer. O resultado foi uma óbvia e permanente ausência de conforto, para dizer o mínimo de um escritor que isolou-se num cubículo alugado, sustentando-se através de uma como esmola e alimentando-se num refeitório popular, quando o intelecto o permitiria possibilidades infinitamente superiores. Tudo isso parece sugerir que faz bem sempre nos perguntarmos mentalmente antes de abrir um livro: de quanto este senhor abriu não para escrever?
A desilusão é sempre proporcional à expectativa
A desilusão é sempre proporcional à expectativa. Dizê-lo talvez seja platitude desnecessária, mas a verdade é que é preciso uma força incrivelmente grande para frear os imponderados sonhos, nos momentos em que estes aparentam plausíveis. Não o fazendo, arrisca-se às também incrivelmente grandes decepções que se lhes decorrem, cujo risco talvez justifique tal platitude ser repetida até que o cérebro se convença de que, muitas vezes, o melhor a fazer é não sonhar.
Viver é, mesmo, um ciclo infinito de frustrações
Viver é, mesmo, um ciclo infinito de frustrações quando vive-se querendo, e querendo sempre mais e mais, sem que a mente seja capaz de um lampejo de divina sabedoria e coloque um freio e um fim nessa lamentável tendência humana à cobiça e à insatisfação. Poucas coisas impressionam tanto quanto constatar a força desta verdade milenar budista, aplicável a todos os homens de todos os tempos e que parece proclamada por alguém que tudo viu e tudo compreendeu.