Será um belo dia aquele em que a ciência…

Será um belo dia aquele em que a ciência ocidental admitirá a validade das pseudociências transmitidas, de geração para geração, há muitos séculos no oriente. Será um duríssimo golpe na presunção resultante do avanço da técnica, e provavelmente fará com que se estabeleça uma nova — e talvez muito velha — postura para com o desconhecido e para com o irracional. Será, enfim, um retorno àquela humildade sem a qual o homem é inapto a perceber a justa medida das coisas.

É sempre comovente quando notamos…

É sempre comovente quando notamos o nascimento de um espírito deslocado, seja no tempo ou no espaço. Quando o observamos, distanciados, ficamos com a sensação de uma total injustiça, de uma pena excessiva e injustificada por um crime não cometido, de uma tortura que só parece obstruí-lo senão puxá-lo para trás. E comove notar que um pouco, um nada que a maioria tem, lhe tornaria a existência significativamente mais agradável. Contudo, quando lhe analisamos a trajetória e buscamos a motivação para cada um de seus passos, percebemos que estão todos eles enraizados neste deslocamento que, profundamente sentido, gera um desconforto que impele a ação. É um desconforto, portanto, produtivo, que necessita expressar-se e necessita agir a fim de atenuar o sentimento; é um desconforto que, em suma, não permite a acomodação.

Não parece possível que o tal processo…

Não parece possível que o tal processo de individuação se dê sem que seja precedido de uma crise, de um desconforto em relação ao meio o qual, a muitos, estimula um sentimento de identificação. Para perceber-se, o indivíduo tem de diferenciar-se, e tal diferenciação parece se evidenciar o mais das vezes no conflito, que conduz a uma angústia interior desejosa de afirmação. Se tal processo, como é consenso, impulsiona a expansão da consciência, estimulá-lo parece mais sensato que reprimi-lo, e reprimi-lo não parece senão coibir uma etapa fundamental no desenvolvimento do ser.

Quando nasce uma nova ideia…

Na arena do pensamento, quando nasce uma nova ideia, ainda que não seja senão uma nova roupagem para uma ideia antiga, é certo que, mais cedo ou mais tarde, brotará também a sua antítese, a qual haverá de se disseminar com uma força proporcional. A precisão desta regra parece apontar-nos para o caráter cíclico do pensamento humano: um ciclo, porém, que não se resume a um círculo fechado de eventos que se repetem, mas, através de um movimento que parece avançar e retroceder, expandir e contrair, afirmar e negar, desenvolvendo-se numa série de etapas razoavelmente previsíveis, aumenta a própria complexidade e dá nuances novas à medida que o tempo avança. Um ciclo, pois, criativo, que exige as controvérsias para se desenvolver.