É possível traçar um paralelo entre vidas coetâneas e identificar, na imensa maioria das vezes, períodos decisivos que ocorreram em idades muito próximas nos quais se destacaram temas semelhantes. É preciso vê-lo e compará-lo repetidas vezes. Este fato evidente e verificável talvez seja o mais forte argumento daqueles que afirmam haver uma correlação entre o tempo e as existências individuais, especialmente porque se nota que muitos dos temas destacados não se dão em decorrência de uma convenção ou algo induzido pelo meio: repara-se, uma e outra vez, períodos em que se parece manifestar o gênio e períodos em que se parece decidir a sorte. A partir do momento em que se adquire coragem suficiente para assumi-lo, já não se pode mais suportar a ausência do porquê…
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O que mata o homem é o orgulho
O que mata o homem é o orgulho; é ele que turva a visão e tolda o viver. A dignidade humana resume-se a fazer o melhor do possível, mas o possível ao orgulho nunca satisfaz. Dele brota um anelo insaciável e um descontentamento para com aquilo que basta para encher olhos modestos. Assim que representa o desgosto, a castração e o sepultamento do estímulo que, para muitos que jamais esperaram, provou que o possível às vezes é distorcido pela visão.
Quanto mais se compreende da vida…
Quanto mais se compreende da vida, mais se torna necessária a capacidade de aceitar limitações; em suma, mais se torna imprescindível a humildade. Curiosamente, parece a natureza dificultá-la à medida que mais se conhece, quando o conhecer é também necessário para aprimorá-la. Portanto, cultivá-la é agir racionalmente contra a natureza, que parece o maior obstáculo — e aquele cujo superar é mais importante — para o pleno desenvolvimento intelectual.
Aquele que toma consciência de que o tempo…
Aquele que toma consciência de que o tempo é a substância da vida conclui, por dedução, de que viverá tão melhor quanto melhor empregar o tempo de que dispõe. Então perceberá, primeiro, que não dispõe de tempo algum, senão o agora, e que portanto, estendendo a conclusão anterior, viverá tão melhor quanto melhor empregar o agora. O passo seguinte é o que frequentemente desalenta, e por vezes conduz ao suicídio. O bem empregar do agora está condicionado a meios apenas parcialmente controláveis e sempre sujeitos à roda da fortuna. Assim que, para alguns, é possível apegar-se a um tempo provável como aliado contra o mais que a fortuna se lhes pode interpor aos objetivos; para outros, porém, avessos ao indefinido, cuja sensatez exige o apegar-se apenas ao que há de certo, é insuportável o constatar que, de certo, há apenas a submissão à necessidade mais imediata.