“I will not die today”…

Novamente, de Tsongkhapa:

Although we all have the thought that at the end of our life will come our death, each day we think, “I will not die today” and “Today too I will not die.” In this way, right up to when we are about to die, our mind holds on to the idea that we are not going to die.

If you do not take to heart an antidote to this, if your mind is obscured by such an idea and you think that you will remain in this life, then you will keep thinking about ways of achieving happiness and eliminating suffering in this life only, thinking, “I need such and such…”

Desprovido da percepção da morte, viciado em julgar que nunca morrerá, o ser humano priva-se da própria essência, impede que floresça em si a noção do mais importante. Distrai-se em futilidades perecíveis, desperdiça o próprio tempo iludindo o espírito. Se por um instante compreende a verdadeira natureza da morte, já não poderá viver como antes, já não aceitará perder-se imerso em banalidades mundanas e exigirá, ainda que a custo da própria vida, uma razão que lhe justifique a realidade. Posto haja a morte, posto a morte aniquile o corpo, force uma separação terminante de posses e relações, que sobra? Há algo que sobra? Buscando respostas, o ser transforma-lhe a conduta e cancela a perigosa noção de “I will not die today”, passando à obsessão: “Se eu morrer hoje… e então?”.

Os textos orientais antigos e a psicologia moderna

Causa assombro confrontar os textos orientais antigos com a psicologia moderna, constatando o lapso de mais de vinte séculos e a noção difusa de que esta última revolucionou a compreensão do homem. A psicologia moderna — científica, materialista — limita-se a analisar uma dimensão reduzida do homem, e se lhe resumirmos as façanhas, diremos que foi ela responsável por criar e disseminar a ideia de um modelo humano inferior. Nos textos orientais, tão antigos, — e sabe-se lá de quando data a tradição, — a psicologia humana se apresenta numa complexidade que escapa à psicologia moderna: o homem é pintado com uma dimensão muito maior. Tudo isso por uma razão simplíssima: os textos orientais antigos foram escritos por sábios que tomavam seus mestres como modelo; a psicologia moderna é escrita por psicólogos e psiquiatras que tomam como modelo seus pacientes. Por isso constatamos, nos primeiros, um vocabulário repleto de técnicas de purificação e, nos últimos, repleto de doenças mentais.

Nada desordena o pensamento como um acesso de raiva

Nada desordena o pensamento como um acesso de raiva. Um único e breve impulso raivoso e o espírito, transformado, perde completamente o controle e a concentração. Desligar-se, deixar que arrefeça, atalhar a ação… Dizem os budistas que um único momento de raiva destrói quanto tenha sido acumulado de virtude pelo ser ao longo de suas múltiplas existências. De todo modo, o certo é que o pleno funcionamento mental exige calmaria e o sangue frio como o de uma serpente.

Não há percepção superior à de transitoriedade

Como está dito no Mahaparinirvana sutra, não há percepção superior à de transitoriedade. Contemplando a morte, — e a morte próxima, — o ser enxota de si a dimensão rasteira, isola-se dos desejos mundanos e impossibilita a manifestação do orgulho. Tomando consciência da impermanência de tudo o que há nesta terra, a ignorância característica do modelo humano inferior torna-se impossível. A morte não surpreende aquele que para ela se prepara e considera cada dia como o possível derradeiro. A percepção de transitoriedade torna inconfundível o fútil, e impede que o ser afaste-se do essencial.