“Bravura é pelejar perdida guerra!”

Acabo de dar vida a um personagem que dá um nó no raciocínio e contorna um pessimismo terrível bradando: “Bravura é pelejar perdida guerra!”. Cá de fora do poema, diz-me a mente que “burrice” também encaixa perfeitamente na métrica e no ritmo. É verdade, mente, você tem razão… Mas é curioso como o raciocínio amiúde contrapõe-se à honra, exigindo esta uma conduta irracional. “Le cœur a ses raisons que la raison ne connaît point” — assinala lucidamente Pascal. E há vezes em que ser racional é, também, ser medíocre.

A poesia de Gonçalves Dias

Não são poucos os defeitos da poesia de Gonçalves Dias. Mas muito mais numerosos, muito mais abundantes são os passos em que brilham a forma e a expressão, e o poeta alça-se indiscutivelmente ao nível dos melhores da língua portuguesa. Gonçalves Dias encanta, sobretudo, pela sinceridade na expressão poética, que convence e nada tem de afetação. Uma poesia emocionada e vigorosa, que merecidamente foi recebida como a melhor de seu tempo a nível nacional e que toca, ainda mais, posto amparada por uma biografia digna de um poeta.

Uma lista de próximas leituras só cresce

Não importa quanto se leia, uma lista de próximas leituras só cresce, sempre cresce, até tornar-se um monstro indomável e exigir, por humanamente inexequível, um novo planejamento, do zero, através de uma nova lista. Não há que fazer… É sempre a mesma coisa, e o processo é inevitável. Se, por um lado, é fundamental o planejamento dos estudos, por outro o seu cumprimento integral é inviável ou, melhor dizendo, inconveniente. Isso porque, no decorrer do processo, o interesse se expande para outras vias, e nada há de mais profícuo para a crescimento intelectual que seguir o curso do próprio interesse. As velhas próximas leituras, que fiquem para uma outra ocasião… Em resumo: listas de leitura são importantes diretrizes concebidas para serem descumpridas e descartadas. E é bom que seja assim.