Talvez a principal razão do ateísmo moderno seja o homem, hoje, passar a vida num ambiente controlado, alimentando uma falsa sensação de segurança, que se coloca justamente no lugar daquilo que mais lhe faz falta: a experiência do desamparo extremo, da total dependência de sua condição. Não seria difícil curá-lo da descrença: bastaria colocá-lo num barco pequeno, em mar aberto, no meio de uma tempestade, ou sozinho, à noite, em mata fechada, que ele certamente faria as pazes com a religião e retornaria da experiência transformado, recitando de cabeça um punhado de orações.