Um americano especialista em educação disse, há alguns meses, que uma boa formação já pode dispensar o estudo de idiomas, visto que a inteligência artificial já é capaz de fazer traduções instantâneas, e o tempo pode ser aplicado com maior proveito em outras disciplinas. Saber bem o inglês é suficiente, concluiu. Que dizer? Sobre os efeitos do estudo de um idioma na inteligência, já disseram muito; Napoleão Mendes de Almeida, em sua insuperável Gramática latina, argumenta em favor do latim. Para alguém que possui o inglês como língua materna, porém, talvez não haja nada mais relevante ao seu desenvolvimento intelectual do que aprender, desesperadamente, tão cedo como possível, um idioma sintaticamente mais complexo, e serve até o espanhol. Mas como convencer o especialista? Se ele não o percebe de imediato, talvez não haja solução. Sua visão tem de ser invertida: o homem do futuro, quanto mais facilidades usufruir, mais terá de se esforçar para não desbaratar capacidades que somente o esforço focado pode desenvolver.