Muito em razão desta cultura digital…

Muito em razão desta cultura digital, dos dispositivos inteligentes, da informação cada vez mais instantânea e mais mastigada, da onipresença de inumeráveis telas simultâneas, tornaram-se extremamente comuns as dificuldades de concentração. O problema ocorre, naturalmente, porque o homem moderno, cada vez menos, tem necessidade de pensar. Quando a necessidade surge, há maneiras de delegar o raciocínio. O resultado é que se vive num estado meio aéreo, desfocado, e se desenvolve uma infinidade de impulsos prejudiciais à concentração. Pela falta de prática, tal habilidade se perde. Como, pois, restaurá-la? Tão simples como o diagnóstico precedente, é possível respondê-lo numa única palavra: praticando-a. E como? Ora, através de qualquer atividade que a exija, que isole o meio, que absorva. Uma leitura, por exemplo; desde que desperte grande interesse, um tal que se sobreponha aos impulsos dispersantes. Mas para vencer realmente o problema, para reacostumar a mente ao ato de centrar-se, àquela ekagrata ou one-pointedness de que falam os indianos, talvez não haja solução melhor que a velha meditação associada ao valioso e penosíssimo estudo do latim.