A partir do momento em que se vale de um time de roteiristas, uma produção cinematográfica abandona a possibilidade de produzir uma obra de arte. O óbvio dos óbvios: o cineasta e o roteirista têm de ser a mesma pessoa, e a obra tem de ser uma criação individual. O cinema, contudo, converteu o primeiro numa espécie de gestor, num especialista em montagem de cenas, no sujeito que define onde a câmera deve ficar; já o segundo não existe, porque multiplicou-se numa equipe. Não importa quão talentoso seja o roteirista: numa obra conjunta, o seu talento se dissipará. A equipe, seguramente, produzirá um roteiro redondinho; e justamente por isso, pelo fato de que o consenso podará o excêntrico, as cenas que não se encaixam, os diálogos “sem sentido”, a ideia “que não vai funcionar”, o filme perde de antemão a singularidade que caracteriza a obra de arte. O roteirista, sem um nome, não pode se tornar cineasta. O cineasta, sem dinheiro, não pode produzir sem um contrato de obrigações. Assim, não há muito mais que dizer.