Nunca deixa de impressionar o fenômeno ocorrido no “dia triunfal” de Fernando Pessoa. É um mistério majestoso, ao qual todos os artistas têm de se curvar. Pode-se racionalizá-lo em parte, pode-se inclusive tentar replicá-lo com bons resultados, executando metodicamente durante a criação etapas predefinidas. Contudo, ainda que o processo se mostre proveitoso, nada se pode fazer para garantir a potência máxima no ato final. Este parece como que independente e soberano: dá-se quando e como quiser. E talvez seja bom que assim proceda, porque evita que o autor caia na soberba e se julgue senhor absoluto do enigmático mister da criação.