A meta invisível

De Stefan Zweig:

Mas só nos primeiros anos da juventude o acaso ainda parecia idêntico ao destino. Mais tarde sabemos que a verdadeira trajetória da vida é determinada por uma força interior: por mais que o nosso caminho pareça se desviar sem sentido dos nossos desejos, sempre afinal nos conduz à nossa meta invisível.

Não há como negá-lo, e como não há como negar que a tal meta é sempre existente, embora não necessariamente invisível. O que alcançam as mentes mais desenvolvidas é defini-la, ou apreendê-la, e conscientemente agir em conformidade com ela. Porém, há sempre aquela discrepância oriunda da imperfeição humana que faz com que os atos nem sempre estejam em harmonia com aquilo que se quer. O resultado é que a meta definida altera-se um pouco na realidade, isto é, a trajetória se ajusta segundo as ações reais. Exatamente por isso, mesmo para aqueles que o ignoram por completo, a meta invisível se cria e se desenvolve orientada pelo desejo que se manifesta nas ações.